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Morabilidade

Morabilidade: palavra que não existe nos dicionários, mas auto-explicativa.

Fiquei com esse nome / termo por quase três anos na cabeça até transformar em nome de empresa. Levei um cliente a um apartamento reformadíssimo da década de 50 em São Paulo.
A proprietária fez a reforma sozinha, sem arquitetos ou engenheiros. Misturou com perfeição os ambientes generosos, o pé-direito altíssimo, peças de design moderno numa decoração clean e muito funcional.

O cliente namorou o apartamento por algum tempo. Visitamos outros imóveis, mas o 'apartamentão' não saiu da cabeça dele.

Numa última visita ele me disse que o que ele havia gostado naquele apartamento é que a reforma havia sido grande, com muitas modificações, mas que o apartamento não havia perdido a 'morabilidade'.

Foi a única vez que eu ouvi essa palavra e tudo fez muito sentido. Ele ficou com o apartamento, claro. E eu, com o nome.



Comecei a vida de corretor em São Paulo, em 2010. Trabalhei com excelentes profissionais, gente que entende muito de mercado imobiliário, técnicas de venda e marketing, mas aprendi mais (muito mais) com os clientes.

Corretagem não é venda, mas prestação de serviço. O cliente dá o caminho das pedras. Algumas vezes é preciso ler nas entrelinhas. O corretor participa muito da intimidade de quem busca o imóvel. É aos poucos que ele percebe que o casal prefere dormir em quartos separados e que alguns preferem banheiros fora do quarto, porque suíte é coisa de casal que acorda junto, se arruma junto, faz barulho pela manhã junto. Particularidades.

A mudança de volta para o Rio, minha cidade e onde morei até 2004, foi em janeiro de 2013. Encontrei uma cidade melhor e um carioca que começa a se preocupar mais com o apartamento em si do que com uma vista para o Cristo ou um pedacinho de mar ao longe. Isso é um ótimo sinal. Vamos nessa.